Para pequena, migrar para nuvem por etapas facilita percepção de retorno

Publicada originalmente no jornal DCI em 15 de março de 2016.

São Paulo – Adequar processos através da adoção da nuvem sem comprometer o orçamento. Esse é um desafio enfrentado por boa parte das pequenas e médias empresas brasileiras e que, de acordo com especialistas ouvidos pelo DCI, pode ser contornado com um planejamento prévio.

“Fazer investimentos sem saber qual será o retorno é jogar dinheiro fora”, resume o sócio da consultoria Deloitte, Dario Mamone, indicando que, em um momento de crise, termos como o ROI (do inglês return on investment, ou retorno de investimento) devem ser mandatórios durante o processo de transformação digital pelo qual 54% das empresas brasileiras devem passar em 2016, de acordo com o IDC Brasil.

Ainda que a questão do retorno não seja tão familiar a pequenas e médias, são elas quem mais sofreriam no caso da transição para a nuvem ser realizada de maneira indiscriminada. “As empresas precisam identificar o que precisa ser colocado na nuvem em um primeiro momento”, avalia Mamone.

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Para tal, fatores como a capacidade tecnológica já instalada e a importância de cada vertical devem ser consideradas, tal qual as peculiaridades de cada empresa – um negócio com grande dependência de sua força de vendas, por exemplo, poderia priorizar a automação das ferramentas utilizadas pelos seus funcionários em detrimento de outras frentes. A uma companhia cujo corpo de empregados é extenso, o melhor caminho seria priorizar a adequação da gestão de recursos humanos.

“Ninguém é obrigado a implementar todos os módulos de uma vez”, aponta o líder de boas práticas e planejamento empresarial da integradora Vert, Marco Nunes. De acordo com ele, a adoção por etapas pode possibilitar, inclusive, a captação de recursos para a execução dos próximos passos. “Se você conseguir um ROI interessante na primeira rodada, esse dinheiro pode custear o resto da implementação”. Medir o impacto positivo de cada iniciativa, contudo, pode não ser uma tarefa fácil.

Para tal, Mamone, da Deloitte, dá algumas dicas. “A melhor forma é buscar um especialista. Existem consultorias de todo os tipos”. Caso o orçamento não permita a opção, fornecedores de software e hardware também podem ajudar. “O que não pode acontecer é a empresa ficar parada”, afirma ele.

Oportunidades

O aspecto não passa despercebido por gigantes do setor de software empresarial como a SAP Brasil: o tema deve ser o norte da 21ª edição do SAP Fórum, que começa hoje (15) em São Paulo.

“Projetos de rápido retorno são muito mais adequados à realidade do Brasil; o que precisamos falar é como realizar isso de forma simples”, argumentou a presidente da companhia no Brasil, Cristina Palmaka, em conversa com jornalistas. O diretor de marketing da companhia, Ricardo Kazuo, vai pelo mesmo caminho. “Existe um tsunami de transformação digital que tem gerado preocupação e desconforto em quem não respira a área, mas também curiosidade de entender”.

A demanda ainda reprimida foi um dos fatores que levaram a empresa alemã a eleger os serviços de nuvem como foco para o Brasil em 2016: é justamente a adoção da tecnologia que vai permitir um crescimento de 2,6 % no setor de TIC em 2016, compensando a retração em outras frentes, como telecomunicações e a venda de dispositivos. Outro ponto relevante para a decisão foi a aceitação que as soluções SAP aderentes ao pequeno e médio conquistou: entre as mais de 300 companhias que adotaram o SAP Hana, mais de um terço são PMEs.

Ainda assim, uma pesquisa realizada pelo conglomerado indica que 27% dos empresários deste porte ainda veem a adoção da nuvem como um risco. Por outro lado, dentre as empresas já familiarizadas com o conceito, 20% reportaram ganhos de produtividade.

“O que muda com o advento da nuvem é que a barreira de entrada [para investimentos em tecnologia] cai drasticamente”, pontua o vice-presidente global de canais da companhia, Marcelo Giampietro. “Ninguém mais precisa pagar licenças e começar um processo de implementação que duraria um ano. Hoje, pagando uma subscrição cujo custo varia por funcionário ativo, já é possível observar os resultados em dois meses, ou em até mesmo seis semanas. Isso é fantástico para a pequena e média e vai permitir que elas cresçam mais que as grandes em um futuro próximo”.