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O Über Hype do Data Discovery

Missão cumprida, voltamos de dois dias intensos de informação no Gartner Analytics Summit. Primeiramente, recomendo o próximo evento a todos os interessados em alta tecnologia. Algumas palestras foram espetaculares. A Gartner tem grande peso internacional na formação de valor na comunidade de TI, impactando diretamente em decisões da indústria. E em seus eventos se percebe o porquê.

Portanto, com o título acima não busco desmerecer o valor do evento ou seu tema, sem dúvidas, o assunto é da maior relevância. Para se ter ideia, o Gartner afirma que até 2020, analytics será a tecnologia predominante de suporte ao negócio, superando os aplicativos de gestão e performance empresarial. Porém, gostaria de comentar sobre o exagero que está ocorrendo em relação ao Data Discovery. Todo o marketing relativo a Business Intelligence está direcionado a esse tema, notoriamente neste evento.

Se você ainda não ouviu falar do assunto, Data Discovery trata de um conceito, materializado em ferramenta, cuja promessa é popularizar o BI ao tornar o cruzamento e a descoberta de informações acessíveis para usuários de negócio, sem apoio da TI. De fato, é isso mesmo que essas ferramentas já começam a entregar.

Dado este apelo, o mercado decidiu investir todas as suas fichas no Data Discovery e posicioná-lo como a força motriz do segmento de Analytics para a década. Está formado o über hype! O negócio é tão sério, que há muita gente boa dizendo que o Data Discovery muda completamente o conceito de BI, que ninguém mais vai perder tempo com Data Warehouse e ETL, que se trata de uma evolução disruptiva, ou coisas do gênero. Mas isso é um erro, e os efeitos colaterais foram omitidos dos panfletos.

Um antigo problema da TI está em garantir a qualidade e a consistência dos dados que formam a base informacional de seus clientes. Os dados vêm de fontes variadas, sujeitos a manipulações de programas distintos e desintegrados, aos erros de entrada de usuários e as falhas sistêmicas. Como se pode ver, os dados não são, a priori, tão confiáveis. O que fazer para garantir que os gestores descrevam e analisem seus negócios a partir de informações integras e padronizadas, que constituam uma versão única da verdade? À égide do Big Data, essa questão se agrava exponencialmente, pois as fontes dos dados estão se tornando mais heterogêneas e os dados, absurdamente mais abundantes e desestruturados.

Para esclarecer o ponto, vou falar de outra tecnologia, o MDM – Master Data Management. Se trata de um conjunto de conceitos, processos e ferramentas que objetivam gerenciar, dar consistência, prover qualidade, confiabilidade e governança aos dados organizacionais. Nos últimos anos, a disciplina ganhou abrangência e importância, e passamos a falar de EIM – Enterprise Information Management. Agora, os objetivos extrapolam a gestão e a qualidade dos dados e passamos também a pensar em soluções corporativas para disponibilização da informação, tornando o conhecimento disponível onde e quando for necessário, e adequado a políticas e normas do negócio. Então, se passaremos a beber das informações com o Data Discovery, é aqui que se cultiva os dados.

Numa analogia com o vinho, se certas escolhas não forem feitas previamente pelo produtor, na composição do terroir e no tratamento das videiras, a qualidade das uvas resultantes será ruim. Neste caso, o consumidor mais versado na enologia não seria capaz de tirar um vinho decente daí. Transformar dados em conhecimento não é tão diferente, pois a matéria prima também precisa ter boa qualidade. Portanto, não é difícil perceber que soluções de qualidade, MDM ou EIM, são necessidades prementes e anteriores ao Data Discovery. Talvez sua organização já tenha investido nisso, e implantado um programa de qualidade e de governança de dados. Mas não é isso que temos visto por aí.

O que me fez sobressaltar a percepção de hype do Data Discovery é exatamente o fato de que a outra grande mensagem do evento foi no campo da governança dos dados e gestão da informação. Só que houve um descasamento incoerente entre os assuntos. Qualidade e governança de dados não foram assuntos encontrados nas mesas redondas dos fabricantes, nem haviam folders espalhados sobre o tema. Porém, a matéria esteve entre as mais abordadas em palestras técnicas. O fato é que a TI está preocupada com isso, com toda razão! Só que nesse caso não há burburinho, pois o assunto não é tão empolgante e é menos palatável aos usuários finais.

Gartner - Data Discovery

Não me entendam mal, sou grande entusiasta do Data Discovery. É a inovação de BI que faltava para dar mais vida, sentido e percepção de resultado aos usuários de negócio. E você certamente terá uma solução destas em sua organização nos próximos anos, pois todos os grandes fabricantes já têm a sua versão, ou estão trabalhando numa. E é exatamente por causa disso que agora é o momento ideal para se investir na qualidade e na confiabilidade dos seus dados e informações. Em breve, os gestores de sua organização estarão minerando esses dados e criando seus insights de negócio como nunca fizeram. Qual será a qualidade dessas descobertas? O diferencial competitivo dependerá disso.

Alexandre Nunes
Especialista em Análise de Dados

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